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Personalidades Pernambucanas |
Dedicamos esta parte a algumas personalidades pernambucanas, mostrando assim que Pernambuco também exporta sucesso.

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| :: Capiba |
 Capiba, Lourenço da Fonseca Barbosa, nasceu no município de Surubim no dia 28 de outubro de 1904. E, desde sua infância, aprendeu a conviver com a música, seu pai era maestro da Banda Municipal. Aos oito anos já tocava trompa e ainda criança sua família mudou-se para o Recife. Depois ele vai morar na Paraíba, no início no interior, depois em Campina Grande e João Pessoas, onde ele tocava piano nos cinemas dessas cidades. Aos 20 anos Capiba gravou o seu primeiro Cd com a valsa "Meu Destino". Em 1930 ele volta para o Recife onde terminou o curso de Direito, mas nunca exerceu a profissão.
Após passar o concurso, começou a trabalhar no banco do Brasil. Era com a renda do banco que Capiba financiava sua música, por isso, logo fundou a Jazz Band Acadêmica e, com Hermeto Pascoal e Sivuca, fundou o trio "O Mundo Pegando Fogo". Foi assim que ele foi se firmando na sua carreira musical, com o tempo ficou conhecido por suas belas composições que variavam de música clássica ao frevo. Canções até hoje muito reconhecidas como Maria Batânia (canção); A Mesma Rosa Amarela (samba); Serenata Suburbana (guarânia) e Verde Mar de Navegar (maracatu). Só em cações de frevo foram mais de 100 e sua obra totaliza pouco mais de 200 composições.
Musicou também vários poemas de Carlos Drummond de Andrade, Vinício de Morais e outros poetas brasileiros. Uma de suas canções carnavalescas mais famosas - É de Amargar - foi vencedora de um festival de frevo em Pernambuco, em 1934. Entre outros prêmios, em 1967 conquistou o 5° lugar no Segundo Festival Internacional da Canção, com a música São do Norte os que Vêm. Capiba morreu no recife no último dia do ano de 1997 de infecção generalizada, deixando muita saudades e uma cultural riquíssima que é valorizada mundialmente. Afinal, não se faz carnaval sem o frevo de Capiba.
Suas principais composições:
Valsa Verde (1931); É de Tororó (maracatu, 1932); É de Amargar (frevo, 1934); Quem Vai Pro Faró é o Bonde de Olinda (frevo, 1937); Guerreiro de Cabinda (maracatu, 1938); Gosto de te Ver Cantando (frevo, 1940); Linda Flor da Madrugada (frevo, 1941); Quem Dera (frevo, 1942); Maria Betânia (canção, 1944); Não Agüento Mais (frevo, 1945); Que Bom Vai Ser (frevo, 1945); E...Nada Mais (frevo, 1947); É Luanda (maracatu, 1949); Olinda Cidade Eterna (samba, 1950); Recife Cidade Lendária (samba, 1950); É Frevo, Meu Bem (1951); A Pisada É Essa (frevo, 1952); Trem de Ferro (moda, com versos de Manuel Bandeira, 1953); Soneto de Fidelidade (com Vinícius de Morais, 1955); Serenata Suburbana (valsa, 1955); Nação Nagô (maracatu, 1957); O Mais Querido (marchaexaltação, 1957); Sino Claro Sino (canção, 1958); A Mesma Rosa Amarela (samba, 1960); Cantiga do Mundo e do Amor (canção, com Ariano Suassuna, 1962); Frevo da Saudade (1962); Madeira que Cupim não Rói (frevo, 1963); O Anel Que Tu Me Deste (frevo, 1965); Cala a Boca Menino (frevo, 1966); São do Norte os Que Vêm (baião, 1967); Europa França e Bahia (frevo, 1968); Oh, Bela (frevo, 1970); Sem Lei nem Rei (toada, 1970); De Chapéu de Sol Aberto (frevo, 1972); Frevo e Ciranda (frevo, 1974); Rei de Aruanda (maracatu, 1974); Juventude Dourada (frevo, 1975); Desesperada Solidão (canção, 1983).
Alguns álbuns:
· Capiba 80 anos - Claudionor Germano, Martha, Expedito Baracho e Orquestra de Cordas de Pernambuco (1984)
· Carnaval começa com "C" de capiba (1961)
· Capiba 25 anos de frevo (1959)
Homenagens e prêmios:
1929/1930 - Rio de Janeiro RJ - Primeiro lugar no concurso da revista Vida Doméstica, com a música "Flor das Ingratas", parceria com João dos Santos Coelho Filho (1929). Quarto lugar no Concurso de Carnaval com a música "Não Quero Mais"
1933 - Recife PE - Primeiro lugar com a música "Tenho uma Coisa Para lhe Dizer" e terceiro lugar com o frevo-canção "Aguenta o Rojão", em concurso promovido pelo Diário de Pernambuco e Discos Columbia
1933 - Recife PE - Vencedor de concurso promovido pelo Diário de Pernambuco, com o frevo "É de Amargar", em homenagem póstuma ao irmão Tantão
1935 - Recife PE - Vencedor do concurso promovido pelo Diário de Pernambuco, com a música "É de Tororó"
1966 - Rio de Janeiro RJ - Quarto lugar no I Festival Internacional da Canção Popular com a música "Canção do Negro Amor", parceria com Ariano Suassuna
1967 - São Paulo SP - Quinto lugar no Festival de MPB da TV Record com o baião "São os do Norte que Vêm", parceria com Ariano Suassuna
1984 - Recife PE - Homenageado pelo seu 80o. aniversário com a medalha da Ordem de Guararapes, Medalha do Mérito Pernambucano, pela Fundação Joaquim Nabuco e Academia de Artes e Letras. |
| :: Chico Science |
 Nascido em Rio Doce, periferia de Olinda, Chico Science ainda era Francisco de Assis França quando começou a freqüentar os bailes funk da cidade. Seus ídolos: James Brown, Sugar Hill Gang, Kurtis Blown, Grand Master Flash e outros grandes nomes da black music. Eram a fonte de inspiração para o som de Chico, artista de carisma raro e grande presença de palco.
Em 1994, Francisco França entrou para um dos principais grupos de dança de rua do Recife - a Legião Hip Hop. Mas a experiência musical só surgiria três anos depois na banda Orla Orbe. No final da década de 80, sem ter sido abalado pelo fim da Orle Orbe, já conhecido por Chico Science, criou a Loustal, em homenagem ao cartunista francês Jacques de Loustal, para fazer uma mistura do rock dos anos 60 com o soul, funk e hip hop.
Em 1991, impressionado com a energia dos percussionistas do bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, Olinda, ligado ao Centro "Daruê Malungo", Chico resolveu fundir a potência da percussão dos ritmos regionais, como o coco de roda e o maracatu, com a black music. Nascia assim o Manguebeat, um dos movimentos esteticamente mais fortes da cultura pernambucana. Na estréia oficial da banda Nação Zumbi, em 1 de junho de 1991, Chico Science declararia: "É nossa responsabilidade resgatar os ritmos da região e incrementá-los junto com uma visão pop. Eu vou além".
Meses depois do lançamento do segundo CD da banda, "Afrociberdelia", às vésperas do Carnaval de 1997, Chico Science morreria num acidente de automóvel na divisa Recife/Olinda. Tinha apenas 33 anos e muito talento para mostrar ao Brasil. Deixava desolados milhares de fãs em todo o país.
Mas a Nação Zumbi, com Jorge du Peixe à frente nos vocais, não abandonou a estrada. É considerada, hoje, a melhor banda do Brasil, com uma agenda cheia de shows, inclusive no exterior.
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| :: Gilberto Freyre |
 Nasce no Recife, em 15 de março de 1900, Gilberto Freyre, o pernambucano que marcaria a história da Sociologia brasileira. Filho do juiz de Direito e catedrático, Alfredo Freire teve seu primeiro contato com a literatura logo cedo, através do livro "Viagens de Gulliver". Sua infância, vivida no Recife, foi fonte de inspiração para seus escritos, como o "2° Guia Prático, Histórico e Sentimental" dedicado a Olinda. Em 1911, durante seu primeiro verão na praia, Freyre encheu seus cadernos com desenhos, caricaturas e sonetos camonianos sobre o local que acabara de conhecer e o deslumbrara.
As discussões sobre educação começaram, em 1916, no Cine-Teatro Pathé, em João Pessoa (PB). A convite do jornalista paraibano Carlos Dias Fernandes, disserta sobre Spencer e a educação no Brasil. Dois anos depois, iniciava a série "Da outra América", no jornal Diário de Pernambuco. Após quase seis anos fora do Brasil, Gilberto Freyre retorna à terra natal para fundar, em 28 de abril de 1924, o "Centro Regionalista do Nordeste". Em 1925, organiza o "Livro do Nordeste", em comemoração ao centenário do Diário de Pernambuco.
No ano de 1932, durante as pesquisas para "Casa-Grande & Senzala", recusa inúmeros convites de emprego, resultando num período de dificuldades financeiras. Em 1936, publica a continuação de "Casa-Grande & Senzala", "Casa-Grande & Senzala: Sobrados e mocambos".
Eleito deputado federal, em 1946, segue para o Rio de Janeiro, a fim de tomar parte nos trabalhos da Assembléia Constituinte. Oito anos depois, é escolhido pela Comissão das Nações Unidas para o estudo da Situação Racial na União Sul-Africana. Completa setenta anos de idade residindo na província e trabalhando como se fosse um intelectual ainda jovem: escrevendo livros, colaborando em jornais e revistas nacionais e estrangeiras, dirigindo cursos, proferindo conferências, presidindo o Conselho Diretor e animando as atividades do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, presidindo e comparecendo às reuniões mensais do Conselho Estadual de Cultura, dirigindo o Centro Regional de Pesquisas Educacionais e o Seminário de Tropicologia da Universidade Federal de Pernambuco e atendendo a convites de universidades européias e norte-americanas. Em 1980, recebe diversas homenagens pelos seus oitenta anos, como a medalha de Ordem do Ipiranga, de São Paulo, o galardão de Comendador da Ordem do Mérito Aperipê, do Governo de Sergipe.
Após uma operação, em janeiro de 1986, regressa ao Recife, exclamando: "agora estou em casa, meu Apipucos". Em 28 de outubro do mesmo ano é eleito para ocupar a cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras. Em 11 de março de 1987 deixa para os pernambucanos sua última obra: a Fundação Gilberto Freyre. O sociólogo, que correu o mundo falando sobre Pernambuco e o Brasil, morreria num sábado, de 18 de abril de 1987, aos 87 anos. |
| :: Manoel Bandeira |
 Um dos principais nomes do Modernismo, Manoel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu no Recife, em 1886. Logo cedo, Bandeira se mudou com a família para o Rio de Janeiro, mas poucos anos depois retornaria a Pernambuco. Finalmente, em 1903, com 17 anos, regressaria de vez ao Rio. No ano de 1904, foi vítima de uma forte tuberculose, motivo que o levou a Suíça, em 1913, para se tratar.
É na Europa que Manoel Bandeira inicia sua vida de escritor, com o livro "A Cinza das Horas", que só seria publicado em 1917, já no Brasil.
Apesar de ser considerada a figura principal do Modernismo brasileiro, Manuel Bandeira recusou-se a participar da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Seus livros contemplam a sensibilidade do Modernismo emergente, tentando libertar a poesia do academicismo e da influência européia. Na poesia, abandona o tom retórico de seus antecessores e usa a fala coloquial para tratar de temas triviais e eventos do dia-a-dia, com objetividade e humor. Ninguém fica imune à sua obra: os críticos conservadores mostraram-se indignados com aquelas poesias libertinas; já autores mais modernos, como João Ribeiro e José Oiticica, entusiasmaram-se com aquele marco renovador da literatura brasileira.
Sua posição como um dos maiores escritores da história brasileira só seria consolidada quase 20 anos depois, com os livros "Estrela da Manhã", "Lira dos Cinqüenta Anos", "Mafuá do Malungo", "Opus 10" e "Estrela da Tarde". Apesar da longa vida como poeta, Bandeira só teve lucro com seus livros a partir de 1937, quando ganhou o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira. Foi ainda colaborador de vários jornais, antologista, historiador e biógrafo.
Manoel Bandeira morre em 1968, aos 82 anos, no Rio de Janeiro. |
| :: Mario Souto Maior |
Pernambuco, em 1920. Veio para o Recife estudar no colégio Marista, em 1929. Ainda estudante, ele fundou o jornal Geração e colaborou nos suplementos do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco.
Formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Direito de Alagoas. Devido a uma pancada no olho, voltou para sua cidade natal, onde foi nomeado secretário na prefeitura. Posteriormente, assumiu o cargo de promotor público de Surubim (PE); logo depois, exerceu a mesma função em João Alfredo, cidade do interior pernambucano.
Souto Maior também chegou a ser prefeito de Orobó (PE) . Trabalhou por 36 anos na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife.
Mário Souto Maior foi advogado, historiador, escritor e folclorista. Contribuiu bastante para a difusão da nossa cultura. Ganhou vários prêmios, entre eles o Joaquim Nabuco, da Academia Pernambucana de Letras. Participou do I Congresso Sul Americano de Folclore, patrocinado pela a UNESCO, como convidado de honra, representando o Brasil.
Souto Maior escreveu mais de 70 livros e crônicas. Antologia Pernambucana de Folclore, Dicionário Folclórico da Cachaça, Como Nasce um Cabra da Peste,Meus Poemas Diferentes e O Dia da Mentira são algumas obras dele.
Souto Maior morreu em 2001, aos 81 anos de idade, por problemas pulmonares e parada cardiorrespiratória.
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| :: João Cabral de Melo Neto |
 João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife, em 9 de janeiro de 1920. Parte da infância de João Cabral foi vivida em engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno (PE). Aos dez anos, com a família de regresso ao Recife, o escritor ingressou no Colégio de Ponte d'Uchoa, dos Irmãos Maristas, onde permanece até concluir o curso secundário. Em 1938, freqüentou o Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam no Recife.
Dois anos depois, a família foi para o Rio de Janeiro, mas a mudança definitiva só foi realizada em fins de 1942, ano em que publicara o seu primeiro livro de poemas : "Pedra do Sono".
No Rio, depois de ter sido funcionário do DASP, inscreveu-se, em 1945, no concurso para a carreira de diplomata. Daí por diante, já enquadrado no Itamarati, inicia uma larga peregrinação por diversos países. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomou posse de sua cadeira em 6 de maio de 1969. Em 1984, é designado para o posto de cônsul-geral na cidade do Porto (Portugal). Em 1987, volta a residir no Rio de Janeiro.
A atividade literária o acompanhou durante todos esses anos no exterior e no Brasil, o que lhe valeu ser contemplado com numerosos prêmios.
Em 1990, João Cabral de Melo Neto é aposentado no posto de embaixador. A Editora Nova Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, no ano de 1994, sua "Obra Completa".
Da obra poética de João Cabral podemos mencionar os seguintes títulos: "Pedro do sono", 1942; "O engenheiro", 1945; "O cão sem plumas", 1950; "O rio", 1954; "Quaderna", 1960; "Poemas escolhidos", 1963; "A educação pela pedra", 1966; "Morte e vida severina e outros poemas em voz alta", 1966; "Museu de tudo", 1975; "A escola das facas", 1980; "Agreste", 1985; "Auto do frade", 1986; "Crime na Calle Relator", 1987; "Sevilla andando", 1989.
João Cabral de Melo Neto faleceu no dia 09 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos. |
| :: Romero Brito |
 O artista plástico Romero Brito nasceu no Recife no dia 06/10/63. Seu estilo é a Pop Art do final da década de 50. Com trabalhos desenvolvidos em Miami (EUA), onde funciona seu ateliê, em South Beach, conta com uma equipe de 30 pessoas, com uma produção de arte em torno de 650 cópias/dia.
As pinturas de Romero Brito são deliciosas. As cores são sempre vivas e vibrantes. Retratam figuras simpáticas e divertidas. Tudo é bem humorado e transmite alegria e jovialidade. Sistematicamente, as cores são colocadas com total falta de lógica, mas isso não compromete o resultado final. Ao contrário, garante essa característica marcante da jovialidade e do bom humor.
Com traços simples e quase geométricos, o artista produz movimentos e dá vida à figuras nitidamente artificiais. As cenas seguem a mesma regra, isto é, nenhuma sofisticação e uma profusão impossível de cores. Faces são cortadas ao meio, apresentando cada lado uma coloração completamente diferente. Gatos são pintados com bolinhas multicoloridas e outros charmes mais. O artista foge da formalidade. Por exemplo: a mão esquerda de um personagem não tem que ter, necessariamente, o mesmo número de dedos da mão direita. Coisa de criança? Quem sabe não seja esse o motivo de tanto sucesso.
Cada pequena figurinha - gatinho, cãozinho - transporta o observador para um mundo de sonhos ternos e infantis. Claro que a arte é interpretada diferentemente por cada pessoa. Mais ainda: a arte é interpretada diferentemente pela mesma pessoa, ao longo de diferentes fases de sua vida. Em 1987, o artista deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos. O sucesso foi retumbante . Em 1989, Brito produziu três obras de arte para a Absolut Vodka, reproduzidas em campanha publicitária em mais de 60 publicações internacionais.Entre outros trabalhos relevantes, projetou o visual do Festival de Jazz de Montreux (Suíça), alcançando o mercado europeu. Em 2002, abriu sua galeria de arte em São Paulo. |
| :: Mestre Vitalino |
 Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, nasceu no dia 10 de julho de 1909, no Sítio Campos, em Caruaru, Agreste pernambucano. Morava no Alto do Moura, uma vila a cerca de seis quilômetros de distância do centro da cidade.
Ainda pequeno, Vitalino ia modelando boizinhos, jegues, bonecos, pratinhos, com as sobras do barro que sua mãe lhe dava. Chamava a esta produção de loiça de brincadeira. Vitalino passou da loiça de brincadeira para as cerâmicas figurativas com a peça "caçador de onça": um gato maracajá trepado numa árvore, acuado por um cachorro, e o caçador fazendo pontaria, que foi vendida na feira de Caruaru.
O material que ele usava para a suas peças era o massapé, que retirava da vazante do rio Ipojuca e transportava em balaios para casa. O barro era molhado e deixado em depósito por dois dias para ser curtido, sendo então amassado e modelado. As peças eram cozidas em forno circular, construído ao ar livre, atrás da casa.
Por volta de 1930, com 20 anos de idade, Vitalino fez os seus primeiros grupos humanos, com soldados e cangaceiros, representando o mundo em que vivia. Sua capacidade criadora se desenvolveu de tal maneira que acabou se tornando o maior ceramista popular do Brasil.
Fazia peças como retirantes, casa da farinha, terno de zabumba, batizado, casamento, vaquejada, pastoril, padre, Lampião, Maria Bonita, representando seu povo, o seu trabalho, as suas tristezas, as suas alegrias. Retratava em suas peças o seu mundo rural. Mais tarde, começou a fazer obras sob encomendas: dentistas, médicos operando, etc. Passou também a pintar as figuras para agradar aos compradores da cidade, que tentavam "inspirar" o Mestre. Carimbava as suas peças, mas, a partir de 1950, analfabeto que era, aprendeu a autenticar a sua obra, com o seu nome.
Foi o artista plástico Augusto Rodrigues quem revelou o trabalho de Vitalino para o resto do País, organizando, em 1945, sua primeira exposição no Rio de Janeiro. Ainda em vida, fez uma doação de 250 peças ao Museu de Arte Popular de Caruaru, atendendo solicitação da prefeitura da cidade.
Morreu pobre, vítima de varíola, no dia 20 de janeiro de 1963, esquecido e sem auxílio do Estado.
Após sua morte, foi inaugurada, no Alto do Moura, a Casa Museu Mestre Vitalino, onde estão expostas as suas principais peças. Sua produção é estimada em cerca de 130 peças, que são cuidadosamente reproduzidas pela família. Hoje os seus trabalhos mais valorizados são os da primeira fase de sua obra, em especial aqueles em que os olhos dos bonecos são vazados e não pintados. Os seus filhos, netos e bisnetos continuam o seu trabalho até hoje.
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| :: Ariano Suassuna |
Nasceu na cidade de João Pessoa, Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar.
Fez o curso primário no município de Taperoá, PB. Em 1942, a família Suassuna se transfere para o Recife e Ariano vai estudar no Ginásio Pernambucano e depois no Colégio Oswaldo Cruz.
Em 1946, entrou para a Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu um grupo de escritores, atores, poetas, romancistas e pessoas interessadas em arte e literatura, entre os quais, Hermilo Borba Filho, com o qual Ariano fundou o Teatro de Estudantes de Pernambuco. Concluiu o curso de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950.
Em 1947, escreveu sua primeira peça de teatro, Uma mulher vestida de sol, baseada no romanceiro popular do Nordeste brasileiro e com ela ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno, em 1948.
No dia 19 de janeiro de 1957, casa-se com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos: Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana.
Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de 1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972.
Foi nomeado, em 1969, Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ficando no cargo até 1974. Lança no dia 18 de outubro de 1970 o Movimento Armorial, com o concerto Três séculos de música nordestina: do barroco ao armorial, na Igreja de São Pedro dos Clérigos e uma exposição de gravura, pintura e escultura.
De 1975 a 1978 foi Secretário de Educação e Cultura do Recife. Doutorou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976. Foi professor da UFPE por 32 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira.
Em agosto de 1989, foi eleito por aclamação para a Academia Brasileira de Letras, tomando posse em maio de 1990, na cadeira número 32, que pertenceu ao escritor Genolino Amado. Dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta, defensor incansável da cultura popular, das raízes brasileiras e, especialmente nordestina, é autor de várias obras:
Uma mulher vestida de sol (1947): O desertor de Princesa (1948); Os homens de barro(1949, inédita); Auto de João da Cruz (1949); O arco desabado (1952); Auto da Compadecida (1955); O santo e a porca (1957); O casamento suspeitoso (1957); A pena e a lei (1959); Farsa da boa preguiça (1960); A caseira e a Catarina (1962); Romance d´a pedra do reino e o príncipe de Sangue do Vai-e-Volta (1971, traduzida para o inglês, alemão, francês, espanhol, polonês e holandês).
Fontes consultadas:
MEMORIAL do imperador d `A pedra do reino. Jornal do Commercio, Recife, 15 jun. 1997. Especial, p.2.
SOUTO MAIOR, Mário. Dicionário de folcloristas brasileiros. Recife: 10-10 Comunicação e Editora, 1999. p.31.
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| :: Alceu Valença |
O cantor e compositor Alceu de Paiva Valença nasceu em 1º de julho de 1946, em São Bento do Una, nos limites do sertão com o agreste pernambucano. É considerado um artista que atingiu maior equilíbrio estético entre as bases musicais nordestinas com o universo dos sons elétricos da música pop. Influenciado pelos negros maracatus, cocos e repentes de viola, Alceu conseguiu utilizar a guitarra, - que chegou a galope montada nas costas do rock'n'roll de Elvis - com baixo elétrico e, mais tarde, com o sintetizador eletrônico nas suas músicas.
Por conta disso, conseguiu dar nova vida a uma gama de ritmos regionais, como o baião, coco, toada, maracatu, frevo, caboclinhos e embolada e repentes cantados com bases rock'n'roll. Sua música e seu universo temático são universais, mas a sua base estética está fincada na nordestinidade.
O envolvimento de Alceu com a música começa na infância, através dos cantadores de feira da sua cidade natal. Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês, três dos principais irradiadores da cultura musical nordestina, foram captadas por ele pelos nostálgicos serviços de alto falantes da cidade. Em casa, a formação ficou por conta do avô, Orestes Alves Valença, que era poeta e violeiro. Aos 10 anos vai para Recife, onde mantém contato com a cultura urbana, e ouve a música de Orlando Silva, Dalva de Oliveira alternado com o emergente e rebelde ritmo de de Little Richard, Ray Charles e outros ícones da chamada primeira geração do rock'n'roll.
Recém-formado em Direito no Recife, em 69, desiste das carreiras de advogado e jornalista -trabalhou como correspondente do Jornal do Brasil- e resolve apostar no talento e na sensibilidade artística.
Em Recife, a profusão de folguedos vindos de toda as regiões do estado, notadamente no carnaval, onde até hoje os grupos se confraternizam, seria decisiva na solidificação de uma das mais febris personalidades da música brasileira. Inerente a sua obra, o sentido cosmopolita de fazer arte, de forma direta e que refletisse a sua vivência e bagagem cultural de homem nordestino, sua história, seu povo e as novidades da música. A partir daí, o mago de Pernambuco amadurece a idéia de colocar a guitarra, e o teclado nessas vertentes da música da sua região.
A atitude em si não é novidade à medida que os tropicalistas já tinham fundido o baião de Luiz Gonzaga com as guitarras. Alceu, entretanto foi mais fundo: pesquisou duplas de emboladores como Beija Flor e Treme Terra, Geraldo Mouzinho e Caximbinho, se embolou com os maracatus de Pernambuco, bebeu na fonte dos aboios mouriscos, dos pífanos, rabecas e pandeiros, cozinhou tudo na panela do rock e o resultado é uma obra atemporal, de qualidade.
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| :: Gilberto Freyre |
Antropólogo e sociólogo brasileiro, criador do conceito de Luso-tropicalismo.
Nasceu no Recife, Pernambuco, Brasil, em 15 de Março de 1900;
morreu no mesmo local, em 18 de Julho de 1987.
Nascido numa família tradicional de Pernambuco de senhores de engenhos de açucar, de um pai professor catedrático de Direito, livre-pensador, e de uma mãe católica e conservadora, aprendeu as pricipais línguas modernas e o latim durante a adolescência, tendo dado a sua primeira conferência pública, em Paraíba, sobre "Spencer e o problema da educação no Brasil" em 1916.
Após ter concluído os estudos no Brasil, foi para o Texas onde concluiu a licenciatura, indo depois para Nova Iorque onde, em 1922, tirou o Mestrado em ciências sociais na Universidade de Columbia com uma dissertação intitulada Social life in Brazil in the middle of the 19th century. Correspondente do Diário de Pernambuco durante a sua estadia nos Estados Unidos mostrou-se sempre muito crítico do «American Way of Life».
Nesse ano viajou pela a Europa, visitando Paris, Berlim, Munique, Nuremberga, Londres e Oxford. Nesta cidade universitária inglesa falou sobre o «donjuanismo» peninsular, no Oxford Spanish Club, defendendo que o relacionamento sexual do colonizador português com mulheres nativas tinha como objectivo conquistar novos fiéis.
Depois de Oxford visitou Lisboa e Coimbra, onde se encontrou tanto com membros da Seara Nova como com os monárquicos do Correio da Manhã, jornal do qual se tornou correspondente no Brasil. Depois da sua curta estadia em Portugal regressou ao Brasil, após 5 anos de ausência.
O Brasil e o Pernambuco do pós Primeira Guerra Mundial prosperavam devido ao aumento do preço das matérias-primas. Mas os hábitos não tinham mudado, e Gilberto Freyre, com a experiência e os hábitos ganhos nos Estados Unidos e na Europa, decidiu então escrever um conjunto de artigos pedagógicos, à maneira das Farpas de Ramalho Ortigão.
As suas opiniões não foram bem vistas pela sociedade tradicional, mas a intelectualidade pernambucana aceito-o imediatamente, o que lhe permitiu organizar em 1924 o Centro Regionalista do Nordeste, um grupo multi-disciplinar de advogados, médicos, engenheiros e jornalistas defensores do regionalismo, atacado pelo furor "modernista", e dois anos depois o Congresso Regionalista. Em 1926 descobriu sucessivamente o Rio de Janeiro e as suas Escolas de Samba e a sociedade multicultural da Baía de Todos-os-Santos, a «terra de quase todos os pecados». Nesse mesmo ano é convidado para secretário particular do governador de Pernambuco e para director do jornal A Província. Mas este 1.º período de participação directa na política acabou em 1930, quando decidiu acompanhar o governador da província na fuga provocada pela Revolução de Outubro de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder.
Freyre começou o seu exílio em Portugal, estabelecendo-se em Lisboa, após uma breve escala na Baía. Foi aqui que começou a redacção da sua mais célebre obra - Casa-Grande e Senzala - pensada como 1.º tomo de uma História da Sociedade Patriarcal no Brasil. Regressou ao Brasil em 1933, tendo passado pela Universidade de Stanford, na Califórnia, como professor convidado, e de visitar as regiões do Sudeste dos Estados Unidos, onde existira até ao fim da Guerra Civil uma sociedade baseada em monoculturas e na escravatura.
Foi nesse ano de regresso ao Recife que publicou a sua obra. Casa Grande e Senzala foi muito bem recebida tanto no Brasil, como na Europa, tendo recebido em França e Itália críticas elogiosas de Roland Barthes e Fernand Braudel. O seu reconhecimento nacional e internacional permitiu-lhe organizar o Congresso de Estudos Afro-Brasileiros em 1934, cujo objectivo era o estudo científico das minorias africanas do Brasil.
Em 1941 casou com Madalena Guedes Pereira, de Paraíba. Em 1945, com o fim da 2.ª Guerra Mundial, e com a queda do regime autoritário do «Estado Novo», foi escolhido para a Assembleia que se transformou em Constituinte, sendo depois eleito para a primeira legislatura do regime democrático saído da Constituição de 1946. A sua contribuição na constituinte foi importante, já que era «o sociólogo da correnteza política» como disse o historiador Bento Munhoz da Rocha, deputado pelo Paraná.
No Congresso Nacional brasileiro propôs a criação de institutos de pesquisa social em todo o País, propondo a criação, desde logo, de um instituto no Recife, que foi criado em Julho de 1949 com a designação de Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Em 1950 tornou-se director do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Recife, defendendo uma política educacional atenta à diversidade do Brasil. No ano seguinte, a convite do governo português visita Cabo Verde e a Guiné, Goa, Moçambique, Angola e S. Tomé.
É no seguimento desta viagem de estudo que em 1953 surge o conceito de tropicalismo e luso-tropicalismo, termo que Freyre tinha utilizado pela 1.ª vez em Novembro de 1951numa conferência realizada em Goa, conceitos descritos primeiro implicitamente e depois explicitamente nos livros publicados nesse ano Aventura e Rotina e Um Brasileiro em Terras Portuguesas. O conceito foi desenvolvido e divulgado em 1959 no livro New world in the tropics, uma ampliação da obra de 1945 Brasil, an Interpretation, e que com base em várias obras posteriores deu origem à luso-tropicologia - uma proposta de ciência ligando a antropologia à ecologia de modo a estudar o relacionamento entre a cultura europeia e a cultura tropical. As obras que se seguiram foram: O luso e o trópico, em 1961, publicado tanto em português, como em francês e inglês; Arte, ciência e trópico, de 1962, Homem, cultura e trópico, em 1962, O Brasil em face das Áfricas negras e mestiças, em 1962 e A Amazónia brasileira e uma possível lusotropicologia, 1964. Em 1965 apareceu a proposta de um Seminário de Tropicologia, um forum de debates dedicados ao tema, que teve o seu início em Março de 1966. O Seminário foi dirigido por Gilberto Freyre até à sua morte.
Em Portugal, Gilberto Freyre realizou a conferência inaugural do Congresso Internacional de História dos Descobrimentos, realizado no ãmbito das Comemorações Henriquinas de 1960; foi agraciado com o doutoramento honoris causa pela Universidade de Coimbra em 1962, foi homenageado em 1967 pela Academia Internacional de Cultura Portuguesa; proferiu a conferência “O Homem Brasileiro e a sua Modernidade”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970;
A sua obra, naturalmente muito aplaudida pelo regime do «Estado Novo», teve em Eduardo Lourenço um crítico feroz, primeiro no artigo «Brasil – Caução do Colonialismo Português» inserido no Portugal Livre de Janeiro de 1960, jornal mensal publicado em São Paulo, e «A propósito de Freyre (Gilberto)» publicado no Suplemento de Cultura e Artes de O Comércio do Porto em 11 de Julho de 1961.No primeiro artigo afirmava que
“... nenhum intelectual safado género Gilberto Freyre e suas burlescas invenções de erotismo serôdio (...) podem tirar dos ombros do português, tranquilamente paternalista e fanfarrão o dever de despertar para os seus deveres e seus atrasos [relativamente à questão colonial]."
No segundo artigo notava a:
"pouca ou nenhuma seriedade objectiva e o falso brilho de fórmulas feitas, tematizadas de livro em livro com fatigante ênfase. (...) Um nefasto aventureirismo intelectual, incoerente e falacioso, desmascarando ao mesmo tempo o falso liberalismo deste amador de estéticas imperialistas"
Se, como é natural, no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, as relações entre Freyre e Portugal arrefeceram, a verdade é que em 1983 foi homenageado pela Academia das Ciências de Lisboa, a propósito do cinquentenário da publicação de Casa-Grande e Senzala, tendo sido elogiado por David Mourão-Ferreira num artigo escrito em 1981, mas publicado em 1983.
Bibliografia:
Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura, Lisboa, Verbo, 1998

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